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O "Clube VIP" do Hardware: Por que 2026 será mais duro que a pandemia para o seu departamento de TI

2026-01-09 · Por Esteban Rey (@Kilowatto)

Nós advertimos neste espaço há apenas algumas semanas: o fechamento do modelo de consumo da Crucial era o canário na mina. Mas o que então parecia um sinal de fumaça no horizonte, hoje se tornou um incêndio florestal às portas da indústria tecnológica.

Depois de uma rodada de reuniões estratégicas esta semana com os distribuidores mais grandes de gigantes como HPE e Dell, posso confirmar que o cenário para 2026 mudou drasticamente. O que me foi revelado off the record é alarmante: estão sendo implementados novos processos de entrega e alocação que, em muitos sentidos, são mais restritivos e opacos do que os vividos durante a pandemia.

A nova segregação tecnológica

Durante a COVID-19, o problema era logístico: fábricas fechadas e barcos detidos. A dor era democrática; todos sofriam igual. Hoje, o problema é estratégico e seletivo.

Os fabricantes começaram a aplicar uma política de priorização de clientes. Já não rege o princípio de "quem chega primeiro, é atendido primeiro". Agora, o algoritmo é financeiro e brutal: os fabricantes estão escolhendo a dedo quais clientes atender com base em relevância estratégica e volume.

Se você é um hiperescalador ou uma corporação global com pedidos massivos, terá tapete vermelho (embora caro). Mas se você é uma empresa média ou grande com necessidades "pequenas" ou pontuais, prepare-se para ser ignorado. Não apenas será enviado para o final da fila de espera, mas também pagará um custo adicional punitivo.

O fim dos descontos históricos

A era dos grandes descontos por volume para o mercado médio acabou. Os distribuidores me confirmam que os fabricantes estão reduzindo os margens e eliminando os incentivos comerciais tradicionais.

Isso cria uma tempestade perfeita: preços de lista mais altos e descontos historicamente baixos. A equação é simples: há pouca oferta de componentes críticos (memória e armazenamento desviados para a IA) e os fabricantes preferem vender esse pouco inventário ao melhor licitante, sem necessidade de oferecer descontos para mover caixas.

A evidência está à vista de todos, não é um segredo industrial. Basta observar o comportamento de componentes padrão, como os kits de memória DDR5 (por exemplo, Kingston Fury Renegade de 96GB). As gráficos de preços mostram uma escalada vertical alarmante nas últimas semanas. Não é especulação; é a física do mercado reagindo à escassez de obleas de silício disponíveis para produtos que não sejam GPUs de Inteligência Artificial.

2026: O ano da "Tempestade de Margem"

Para os parceiros, integradores e distribuidores de tecnologia, 2026 não promete nada fácil. Eles enfrentam uma paradoxa cruel: terão um ano de alta demanda, mas de vendas frustradas.

Seus clientes quererão comprar, quererão renovar infraestrutura e quererão subir no trem da IA. Mas o canal de distribuição não terá produto para entregar. E o pouco que conseguirem faturar virá com margens tão apertadas que porão em risco a rentabilidade operacional de muitas empresas de serviços de TI. Não será uma crise de demanda, será uma crise de oferta e rentabilidade.

Para os CIOs e diretores de compras, a mensagem é urgente: as regras do jogo mudaram enquanto brindávamos pelo Ano Novo. Os tempos de entrega se vão dilatar e os orçamentos aprovados em 2025 já são insuficientes para os preços de 2026.

Se a sua empresa não está na lista "VIP" dos fabricantes, a estratégia de "Just in Time" deve morrer hoje mesmo. É hora de acaparar, é hora de planejar a 12 meses e, lamentavelmente, é hora de pagar mais.

Assim iniciamos o ano, com o desejo genuíno de que, apesar dos ventos contrários, seja um ano de muitos sucessos e, sobretudo, de muita estratégia.